Artigo escrito por Sérgio Augusto Costa, CEO da VILCO Energias Renováveis, em sua conta no Linkedin
O conceito de risco permeia decisões empresariais, investimentos e políticas públicas. Em um mundo de “policrises”, entender o risco não é luxo, mas necessidade. Mas o que é risco, afinal? Este artigo objetiva explicar de forma didática, passo a passo, seus conceitos básicos, fundamentos, implicações e aplicações práticas. Destacando como visões simplistas podem levar a erros estratégicos, especialmente em contextos voláteis como o Brasil.
Imagine o risco como um jogo de xadrez: não é apenas sobre perder uma peça (o evento negativo), mas sobre a probabilidade disso acontecer e o impacto no jogo inteiro.
Conceitos Básicos de Risco
Risco é a possibilidade de um evento indesejado ocorrer, combinando probabilidade (quão provável?) e impacto (quão grave?). No contexto de negócios e gestão, é definido como “a exposição de uma empresa ou organização a fatores que podem reduzir lucros ou levá-la à falência”. Não se limita a perdas financeiras: inclui danos à reputação, interrupções operacionais ou até oportunidades perdidas (riscos positivos, ou “upside risks“, como investir em inovação que pode falhar mas também explodir em sucesso).
Mas risco não é sinônimo de incerteza. Incerteza é o desconhecido total (como prever uma pandemia inédita), enquanto risco é quantificável. Pense em um dado: você sabe as chances de cair um 4 (1/6), mas não o resultado exato. Essa distinção é crucial, pois abordagens que tratam tudo como “incerto” paralisam decisões, ignorando ferramentas para mitigar o que é de fato mensurável.
E para evitar confusão de “Risco” com “Incerteza”, segue um esquema bem prático:
- Risco = Probabilidades conhecidas → Pode ser “segurado” ou calculado.
- Incerteza = Probabilidades desconhecidas ( ou impossíveis de calcular com precisão) → Exige inovação e resiliência.
A Incerteza engloba eventos imprevisíveis como uma pandemia global ou uma mudança radical no mercado: você sabe que algo pode dar errado, mas não tem ideia de quão provável ou qual o impacto exato. O mais interessante é que essa abordagem, se bem aplicada, traz implicações diretas para o empreendedor:
- Risco: Pode ser gerenciado através de seguros, diversificação e cálculos probabilísticos, pois as perdas são previsíveis.
- Incerteza: É o domínio do empreendedor. A recompensa (lucro) surge da capacidade de tomar decisões e inovar em face do desconhecido, algo que não pode ser previsto por modelos estatísticos.
Quantos novos negócios surgiram na Pandemia COVID-19? Plataformas de “e-commerce”, serviços de “delivery”, telemedicina, aplicativos de “fitness online“, são alguns que lembro.
Fundamentos do Gerenciamento de Riscos
Os fundamentos giram em torno de um processo sistemático: identificação, análise, priorização e mitigação. De acordo com padrões como o da norma ISO 31000 [1], o gerenciamento de riscos envolve:
- Identificação: Mapear ameaças potenciais, como riscos financeiros (ex.: flutuações cambiais), operacionais (falhas em supply chain), estratégicos (concorrência disruptiva) ou de conformidade (violações regulatórias).
- Análise: Avaliar probabilidade e impacto, frequentemente via matrizes (baixa/alta probabilidade x baixo/alto impacto).
- Resposta: Estratégias como evitar (não prosseguir), mitigar (reduzir impacto, ex.: seguros), transferir (terceirizar) ou aceitar (monitorar se o custo de mitigação excede o risco).
- Monitoramento: Revisar continuamente, pois riscos evoluem – um risco climático “baixo” em 2020 pode ser “alto” em 2026 devido a eventos extremos.
Criticamente, muitos frameworks subestimam interconexões: um risco cibernético pode desencadear um financeiro e um reputacional. Abordagens tradicionais, focadas em “silos departamentais” (barreiras internas que isolam equipes ou departamentos dentro de uma organização, prejudicando a comunicação e a colaboração), falham aqui, levando a subestimações – como visto em crises como a COVID-19, onde riscos operacionais globais foram ignorados.
Implicações do Risco em Contextos Reais
As implicações são profundas e multifacetadas. Para empresas, um risco mal gerenciado pode erodir valor: imagine uma companhia brasileira exposta ao “Risco Brasil” (medido por CDS em ~138 pontos-base em jan/2026, ver Nota 2), pagando juros mais altos em dívidas, o que reduz competitividade. Em nível macro, riscos globais como mudança climática (top 1 em relatório AXA [2]) implicam migrações forçadas, perdas agrícolas e instabilidade geopolítica, afetando cadeias de suprimento.
Para indivíduos, implica planejamento pessoal: diversificar investimentos para mitigar riscos de mercado. Criticamente, implicações sociais são subestimadas – riscos desiguais agravam desigualdades: em países emergentes como o Brasil, riscos ambientais afetam mais comunidades pobres, perpetuando ciclos de pobreza. Ignorar isso leva a políticas míopes, como priorizar crescimento econômico sem sustentabilidade, o que amplifica “policrises”.
Aplicações Práticas
Aplicar o conceito de risco é transformador. Em negócios:
- Investimentos: Use análise de risco para portfolio management – ex.: calcular VaR (Value at Risk – ver Nota (3)) para prever perdas potenciais.
- Projetos: Em TI, aplique para cybersecurity, identificando vulnerabilidades via pentests, ver Nota (4).
- Estratégia Corporativa: Consultorias especializadas, como McKinsey & Company [4], recomendam integrar risco na produtividade, investindo em infraestrutura para mitigar gargalos no Brasil.
- Exemplo Real: No Setor Elétrico Brasileiro, riscos de Curtailment, ver Nota (5), podem ser mitigados via Leilões de Reserva de Capacidade – Armazenamento, por exemplo.
Em resumo, risco não é inimigo, mas uma ferramenta para decisões informadas. E importante salientar que visões simplistas – tratando risco só como “perda” – limitam inovação. Em um mundo interconectado, gerenciar riscos exige visão holística, integrando tecnologia e ESG, ver Nota (6).
Agora com os conceitos de risco descomplicados, podemos fazer uma análise dos riscos mais importantes no cenário global e brasileiro.
TOP 10 Global Risks
O gráfico Top 10 Global Risks da Visual Capitalist, baseado no AXA – Future Risks Report 2025 [2], demonstra as dinâmicas de um mundo em “policrises”.

É baseado em uma pesquisa com 3.595 especialistas de 57 países, e traça uma evolução reativa: da pandemia COVID dominando em 2020 à persistência da mudança climática como risco nº1 de 2021 a 2025, com geopolítica e cibersegurança ganhando terreno. Mas essa visualização expõe uma adaptação lenta – por exemplo, a rápida descida da pandemia para 9º lugar ignora vulnerabilidades persistentes, enquanto a entrada da demografia em 10º subestima impactos de longo prazo em um mundo envelhecendo.
As Tendências Globais e os Top 10 Riscos em 2025 são:
Mudança Climática: Líder inconteste, com 66% dos especialistas vulneráveis diariamente; crítica à preparação inadequada (apenas 12% confiam nas autoridades).
Instabilidade Geopolítica: 2º, com 84% temendo guerra global; impactos econômicos como tarifas dominam (39%).
Cibersegurança: 3º, afetando 71%; ciberguerra como principal consequência geopolítica.
#4 IA e Big Data: 4º, emergindo rápido (54%); ameaça direitos humanos (43%), com baixa regulação.
#5 Tensões Sociais: 5º, impulsionadas por desigualdades; 50% veem como “já presente”.
#6 Recursos Naturais e Biodiversidade: 6º, subestimado pela população geral.
#7 Macroeconomia: 7º, reentrando devido a guerras comerciais (44%).
#8 Riscos Energéticos: 8º, com alta demanda elevando preços (44%).
#9 Estabilidade Financeira: 9º, com medo de falhas sistêmicas (45%).
#10 Demografia: Estreante, com envelhecimento dobrando idosos até 2050, pressionando saúde e pensões (93% preveem custos altos).
As interconexões formam uma policrise: clima agrava geopolítica e biodiversidade, enquanto IA amplifica tensões via desinformação. Mas como a metodologia da AXA é focada em seguros, os riscos financeiros podem estar superestimados, e de outra forma a fragmentação social estar subestimada (59% veem menos valores compartilhados).
Estados Unidos e China são as duas maiores potências globais líderes da atualidade, embora com perfis de liderança e pontos fortes distintos. Os EUA ainda mantêm a posição de maior economia e principal poder militar, enquanto a China é a segunda maior economia, líder em manufatura e tecnologias verdes, e vem rapidamente expandindo sua influência. Assim, fundamental avaliar os riscos para essas nações pois afetam direta e indiretamente o Brasil:
(América do Norte): Mudança climática lidera, seguida por cibersegurança (2º, 71% vulneráveis – taxa mais alta global) e IA/big data (3º). Geopolítica (4º) reflete polarização eleitoral e tarifas; apenas 32% veem autoridades preparadas. Criticamente, fragmentação alta (divisões políticas e desinformação como fatores principais) agrava tensões sociais (6º), com demografia pressionando saúde/pensões. Baixa confiança em macroeconomia (15%) expõe dependência tech, questionando resiliência em uma policrise.
(Ásia-Pacífico): Clima no topo, com cibersegurança (2º) e IA (3º); 60% vulneráveis a IA, mas “visão societal”, ver Nota (1), compartilhada alta (81%). Geopolítica (4º) intensa por tensões em Taiwan, ampliando risco de guerra. Estabilidade financeira (5º) e macroeconomia (7º) refletem desacelerações. Criticamente, demografia subestimada (idosos dobrando até 2050), com fragmentação baixa (37% veem divisões vs. 59% global), mas desigualdades e desinformação persistem. Como líder em IA, China enfrenta riscos éticos sem regulação adequada.
(América Latina): Clima empata como 1º, mas biodiversidade sobe para 4º localmente por ameaças à Amazônia (69% vulneráveis). Cibersegurança (2º), IA (3º) e geopolítica (4º) seguem, com fragmentação máxima (região #1 em divisões sociais). Tensões sociais altas (67% vulneráveis); demografia sobrecarrega sistemas. A baixa preparação (12% para tensões sociais) amplifica desigualdades ambientais, com políticas inconsistentes subestimando impactos locais como secas.
Adicionalmente, o presente artigo também avalia os principais riscos identificados para o Brasil pelas consultorias especializadas McKinsey & Company e Wood Mackenzie, ambas empresas renomadas em seus respectivos setores, com atuação em áreas diferentes e com focos distintos, ver Nota (7).
Principais Riscos Identificados pela Wood Mackenzie
A Wood Mackenzie, especializada em energia e recursos naturais, enfatiza riscos no setor elétrico e de transição energética do Brasil, alinhados com a dependência hidrelétrica e a expansão acelerada de renováveis. Seus relatórios de 2025 apontam para uma “policrise” energética, onde infraestrutura defasada agrava oversupply e perdas econômicas:
- Curtailment de Energia Renovável: Projetado para crescer até 300% até 2035 no Sistema Interligado Nacional (SIN), com níveis médios de 8% na próxima década, alcançando 11% no submercado Nordeste (contra 2% no Sudeste/Centro-Oeste). Isso é impulsionado por gargalos em transmissão (apenas 11 GW adicionados até 2029) e excesso de geração durante picos solares (8h-17h), resultando em perdas de lucro para geradores e atrasos em investimentos, conforme [8].
- Impactos Econômicos e Operacionais: Tarifas de módulos fotovoltaicos, novas cobranças de uso de rede e subsídios distorcidos erodem retornos, enquanto distribuidoras enfrentam desafios operacionais. Baterias para arbitragem são essenciais, mas custos capitais elevados demandam incentivos regulatórios, como leilões de armazenamento, para evitar uma transição caótica, conforme [8].
- Migração Industrial de Gás e Liberalização do Mercado: Até 3,5 milhões m³/dia de gás natural podem migrar para o “mercado livre” de gás em 2025, com 13,3 milhões m³/dia por dia já migrados, acelerando a liberalização mas expondo a volatilidade de preços e suprimento, especialmente para indústrias dependentes, conforme [9].
Essas projeções criticam a lentidão regulatória (Agência Nacional de Energia Elétrica – ANEEL e Ministério de Minas e Energia – MME), que agrava riscos climáticos – como secas afetando hidrelétricas – e subestima o potencial de conflitos jurídicos em regiões como o Nordeste, devido ao Curtailment, em que esses conflitos surgem principalmente em torno da compensação financeira aos geradores pelas perdas de receita decorrentes da restrição forçada da geração de energia por usinas (solares e eólicas). O cerne deste conflitos jurídicos envolvem:
- Ressarcimento de Prejuízos: Geradores de energia eólica e solar argumentam que, ao serem obrigados a cortar a produção, perdem a capacidade de cumprir contratos de venda de energia, o que gera prejuízos financeiros significativos (que podem ultrapassar bilhões de Reais). As disputas judiciais buscam determinar quem deve arcar com esses custos: os geradores, os consumidores ou o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).
- Responsabilidade pelos Cortes: A questão central é definir a causa do corte. Se o Curtailment ocorre por problemas na rede de transmissão (falhas, indisponibilidade ou gargalos), a responsabilidade e o direito à compensação são mais claros para o gerador. No entanto, se o corte ocorre por excesso de geração em relação à demanda (restrição energética) ou por razões operativas do ONS para garantir a estabilidade do sistema, o ressarcimento é objeto de intensa controvérsia regulatória e judicial.
Insegurança Regulatória: A falta de uma regulamentação clara e estável sobre o tema gera insegurança jurídica, afastando investidores do setor de energias renováveis. A ANEEL e o MME tem discutido o assunto em consultas públicas para tentar estabelecer critérios claros de compensação. - Decisões Judiciais Divergentes: O tema tem gerado diferentes interpretações nos tribunais. Houve casos em que liminares concederam o ressarcimento aos geradores, mas o Superior Tribunal de Justiça (STJ) já suspendeu os efeitos de algumas dessas decisões, indicando a complexidade e a falta de consenso jurídico.
Principais Riscos Identificados pela McKinsey & Company
A McKinsey adota uma visão macroeconômica e setorial, destacando riscos à produtividade, crescimento e consumo no Brasil, inseridos no contexto latino-americano. Seus insights de 2025 revelam uma economia resiliente mas fragilizada por pressões externas e internas, com ênfase em oportunidades perdidas:
- Baixa Produtividade e Crescimento Lento: Produtividade contribuiu apenas 0,8 pontos percentuais para o crescimento do PIB latino-americano de 1997-2022 (35% do total), metade do visto em pares como Polônia e Turquia. No Brasil, isso reflete investimentos insuficientes (20% do PIB vs. 25-30% em regiões emergentes), com capital por trabalhador crescendo só 30% em duas décadas. Sem aceleração, o PIB per capita crescerá apenas 19% até 2040, agravando o risco de “envelhecer antes de enriquecer”, conforme [10].
- Necessidade de Investimentos Massivos: Para elevar o PIB regional a US$ 8,9-10,3 trilhões até 2040, investimentos anuais de US$ 1,9-2,3 trilhões (28% do PIB) são requeridos, focando em setores como Veículos Elétricos, Baterias, Óleo/Gás e Agrifood – onde o Brasil lidera, mas enfrenta gargalos em infraestrutura e regulação, conforme [10].
- Declínio no Otimismo do Consumidor e Pressões Inflacionárias: Sentimento líquido caiu 7 pontos percentuais vs. novembro 2024, com inflação a 4,83% (especialmente em alimentos) reduzindo otimismo em 5 pontos em Q1 2025. Comportamentos de trade-down (89% dos consumidores) e corte em discricionários (ex.: vestuário, entretenimento) afetam varejo, com gerações jovens (Geração Z) e baixa renda mais vulneráveis a desemprego e custos elevados, conforme [4].
- Riscos Políticos e Geopolíticos: Conflitos domésticos são o principal risco para crescimento em mercados em desenvolvimento, incluindo América Latina; mudanças em políticas comerciais e instabilidade global (ex.: tarifas) ameaçam exportações brasileiras, como commodities, conforme [11].
Observa-se que a McKinsey é otimista sobre setores como TI e minerais críticos no Brasil, mas sua análise peca por não quantificar riscos fiscais (ex.: dívida pública) ou ambientais (ex.: desmatamento), que interagem com produtividade – por exemplo, secas impactando o setor Agroalimentar, ver Nota (8), um pilar econômico.
Em síntese, Wood Mackenzie alerta para uma transição energética instável, enquanto McKinsey expõe fragilidades macroeconômicas e comportamentais que perpetuam desigualdades. Criticamente, ambas ignoram interseções como o impacto climático na produtividade (ex.: eventos extremos afetando energia e agricultura), sugerindo que o Brasil precisa de políticas integradas para mitigar esses riscos – caso contrário, o “Risco Brasil” (CDS em ~138 pontos-base em jan/2026) continuará elevado, limitando atração de capitais. Recomendo monitorar atualizações, pois eventos como COP30 podem alterar essas trajetórias.
E para você, quais riscos mais impactam seu setor/atividade?
#Riscos #GerenciamentoDeRiscos #RiskManagement #RiskAnalysis #AnáliseRiscos #EstrategiaEmpresarial #MudancaClimatica #Geopolitica #Ciberseguranca #IA #Sustentabilidade #EconomiaGlobal
Notas
(1) Visão Societal é uma perspectiva ampla que analisa como as estruturas, normas, valores e relações sociais moldam indivíduos e grupos, indo além da experiência pessoal para entender padrões, desigualdades e o funcionamento sistêmico de uma sociedade, conectando o privado ao público e promovendo uma compreensão mais profunda da complexidade social.
(2) “Risco Brasil“, também conhecido como risco-país ou risco soberano do Brasil, é um indicador econômico que reflete a percepção dos investidores internacionais sobre a capacidade do país de honrar suas dívidas e compromissos financeiros. Em essência, ele mede o prêmio de risco exigido para investir em ativos brasileiros em comparação com ativos considerados “livres de risco”, como os títulos do Tesouro americano (US Treasuries). Quanto maior o valor, maior a desconfiança do mercado, o que se traduz em custos mais elevados de financiamento para o governo e empresas brasileiras, impactando juros, câmbio e atração de investimentos estrangeiros.
Analiticamente, o Risco Brasil é quantificado por meio de dois principais instrumentos:
- EMBI+ (Emerging Markets Bond Index Plus): Calculado pelo banco JP Morgan, representa o spread (diferença) entre os rendimentos dos títulos da dívida brasileira e os Treasuries americanos. É um índice composto que considera uma cesta de bonds soberanos de mercados emergentes.
- CDS (Credit Default Swap) de 5 anos: Um contrato de seguro contra calote, onde o valor em pontos-base indica o custo anual para proteger US$ 10 milhões em dívida brasileira por cinco anos. Por exemplo, um CDS de 100 pontos-base custa US$ 100 mil por ano para essa proteção.
Essas métricas são atualizadas diariamente pelos mercados financeiros e influenciadas por fatores como instabilidade política, inflação, déficit fiscal, crescimento econômico e eventos globais (como guerras ou crises energéticas). Criticamente, porém, esses indicadores são suscetíveis a vieses: eles dependem fortemente de agências de rating (como Moody’s, S&P e Fitch), que historicamente subestimam resiliências de economias emergentes e amplificam volatilidades causadas por especulações de curto prazo, muitas vezes ignorando reformas estruturais internas.
Conforme [3], no fechamento de 2025 (30 de dezembro), o CDS de 5 anos do Brasil estava em 138 pontos-base, o menor nível anual desde 2023, representando uma queda significativa de 76 pontos ao longo do ano (de 214 no início de 2025 para uma mínima de 126). Isso indica uma melhoria na percepção de risco, possivelmente impulsionada por controle fiscal e crescimento econômico estável. No entanto, criticamente, esse patamar ainda reflete vulnerabilidades: comparado a pares emergentes como México (cerca de 100 pontos) ou Índia (abaixo de 80), o Brasil continua pagando um prêmio mais alto, o que eleva o custo da dívida pública e limita investimentos em infraestrutura. Além disso, riscos geopolíticos globais e eleições presidencial e estaduais em 2026 podem reverter essa tendência, destacando a fragilidade do indicador a choques externos.
Um Risco Brasil elevado desestimula influxos de capital estrangeiro, encarece empréstimos internacionais e pressiona o Real (Dólar sobe), afetando importações e inflação. Para investidores locais, isso se reflete em taxas de juros mais altas (como a Selic) e volatilidade na Bolsa de Valores (B3). Positivamente, reduções no risco, como vistas em 2025, facilitam captações mais baratas e podem atrair Investimento Direto Estrangeiro (Foreign Direct Investment – FDI).
(3) Value at Risk (VaR) é uma métrica financeira que estima a perda máxima provável que um investimento ou portfólio pode sofrer em um determinado período de tempo, com um determinado nível de confiança (probabilidade), sob condições normais de mercado, resumindo o risco em um único valor monetário. Ele responde à pergunta: “Qual é o valor máximo que posso perder com X% de certeza em um dia/semana/mês?”
O VaR é definido por três componentes principais:
- Valor Monetário (Perda Máxima): O valor em reais (ou outra moeda) que pode ser perdido.
- Horizonte de Tempo: O período da análise (ex: 1 dia, 1 semana, 1 mês).
- Nível de Confiança (Probabilidade): A certeza estatística da estimativa (ex: 95%, 99%).
Assim o VaR serve para:
- Quantificar Risco: Traduz o risco de um portfólio complexo em um número simples e compreensível.
- Tomada de Decisão: Ajuda gestores e investidores a ajustar estratégias e definir limites de risco.
- Gestão de Carteiras: Permite medir a exposição ao risco de mercado de forma objetiva.
Porém possui as seguintes limitações:
- Não Prevê “Cisnes Negros”: É baseado em dados históricos e não prevê eventos extremos e raros (“Cisnes Negros”) que fogem à normalidade estatística, como crises severas.
- Estimativa: É apenas uma estimativa, e a perda real pode ser maior.
(4) Pentest (Teste de Penetração) é uma simulação autorizada e controlada de ataques cibernéticos a sistemas, redes ou aplicações, realizada por especialistas (pentesters ou hackers éticos) para identificar e explorar vulnerabilidades de segurança antes que criminosos as encontrem, visando fortalecer as defesas da organização e prevenir invasões reais. É como um “ataque” de verdade, mas com permissão, para descobrir onde as defesas estão fracas e o que um invasor poderia fazer, protegendo dados sensíveis e a infraestrutura.
(5) Curtailment é a redução ou interrupção forçada da geração de energia em usinas, especialmente renováveis (solar e eólica), por decisão do Operador Nacional do Sistema (ONS) para manter o equilíbrio e a segurança da rede elétrica. Isso ocorre quando há excesso de oferta (muito sol/vento) versus demanda, limitações na transmissão, ou para garantir a estabilidade do sistema, resultando em energia potencial desperdiçada e desafios econômicos para os geradores.
Conforme classificação do ONS, os principais motivos para o Curtailment são:
- Razão Energética: Produção de energia renovável excede a demanda, como em dias de muito vento ou sol, quando a demanda é baixa (madrugadas, feriados).
- Indisponibilidade Externa: Falhas ou congestionamento nas linhas de transmissão impedem o escoamento da energia gerada para outras regiões.
- Confiabilidade Elétrica: Necessidade de preservar a estabilidade da rede, evitando sobrecargas e apagões.
(6) ESG é a sigla em inglês para Environmental (Ambiental), Social (Social) e Governance (Governança), representando critérios para avaliar o desempenho de empresas e investimentos além do retorno financeiro, focando em sustentabilidade, responsabilidade social e transparência na gestão e liderança. Essa abordagem avalia como uma empresa impacta o meio ambiente, suas relações com pessoas (funcionários, clientes, comunidades) e a qualidade de sua administração e ética. Os três pilares detalhados são:
- E (Environmental – Ambiental): Gestão de resíduos, emissões de carbono, uso de recursos naturais, conservação da biodiversidade e sustentabilidade.
- S (Social – Social): Direitos humanos, diversidade e inclusão, condições de trabalho, saúde e segurança, e relações com a comunidade.
- G (Governance – Governança): Estrutura de liderança, remuneração de executivos, transparência, ética, direitos dos acionistas e combate à corrupção.
O ESG ganhou relevância no mercado financeiro e corporativo para identificar empresas mais sólidas, resilientes e com bom potencial de crescimento a longo prazo, indicando um compromisso com o desenvolvimento sustentável e gerando valor para todos os stakeholders, não só para acionistas.
(7) McKinsey & Company é uma das maiores e mais prestigiadas empresas de consultoria estratégica do mundo, parte do grupo conhecido como “Big Three” (junto com Boston Consulting Group e Bain & Company). Ela é globalmente reconhecida por assessorar grandes corporações, governos e instituições em questões de alta gestão, estratégia corporativa e operações. A Wood Mackenzie é uma empresa líder global em pesquisa e consultoria nos setores de energia, produtos químicos, metais, mineração e serviços de consultoria. Ela é altamente conceituada por fornecer análises detalhadas, dados de mercado e previsões para ajudar clientes a tomar decisões estratégicas nesses setores específicos.
(8) Setor Aroalimentar (Agrifood) refere-se a todo o sistema que envolve a produção, processamento, distribuição e consumo de alimentos, desde a fazenda até a mesa, com foco crescente em inovação, sustentabilidade e tecnologia para otimizar a cadeia, reduzir desperdícios e criar alimentos mais seguros e nutritivos, englobando agricultura, pecuária, pesca, processamento e logística, e impulsionado por tecnologias como AgriFoodTech e modelos de economia circular. Os Componentes do Sistema Agrifood são:
- Produção Primária: Agricultura, pecuária, pesca e aquicultura.
Processamento e Indústria: Transformação de matérias-primas em produtos alimentícios. - Distribuição e Logística: Transporte, armazenamento e chegada aos consumidores.
- Consumo: O destino final dos alimentos, com demandas por produtos saudáveis e sustentáveis.
Fontes Bibliográficas
[1] Norma ISO 31000:2018 Risk management — Guidelines
[2] AXA. (2025). Future Risks Report 2025. Disponível em: https://www-axa-com.cdn.prismic.io/www-axa-com/aPnm9bpReVYa3l8Y_axa_futurerisksreport_2025_en_3.pdf
[3] Poder360, Risco país fecha 2025 a 138 pontos, menor nível anual desde 2023. Disponível em: https://www.poder360.com.br/poder-economia/risco-pais-fecha-ano-a-138-pontos-menor-nivel-anual-desde-2023/
[4] McKinsey & Company (2025). Brazilian consumer sentiment: Retail growth amid economic pressures. Disponível em: https://www.mckinsey.com/industries/consumer-packaged-goods/our-insights/the-state-of-the-brazilian-consumer
[5] AuditBoard (2023). Risk Management 101: Process, Examples, Strategies. Disponível em: https://auditboard.com/blog/risk-management-101
[6] Investopedia. Business Risk: Definition, Factors, and Examples. Disponível em: https://www.investopedia.com/terms/b/businessrisk.asp
[7] Riskify (2025). What Is the Correct Definition of Risk Management? Key Concepts Frameworks. Disponível em: https://www.riskify.net/blog/what-is-the-correct-definition-of-risk-management-key-concepts-frameworks
[8] Wood Mackenzie (2025). Renewable power curtailment will grow up to 300% in Brazil by 2035. Disponível em: https://www.woodmac.com/press-releases/renewable-power-curtailment-will-grow-up-to-300-in-brazil-by-2035-says-wood-mackenzie/
[9] Wood Mackenzie (2025). Brazil’s industrial gas migration reaches 13.3 Mcmd as market liberalisation accelerates. Disponível em: https://www.woodmac.com/press-releases/brazils-industrial-gas-migration-reaches-13.3-mcmd-as-market-liberalisation-accelerates
[10] McKinsey & Company (2025). Seizing the moment: Latin America’s productivity opportunity. Disponível em: https://www.mckinsey.com/featured-insights/americas/seizing-the-moment-latin-americas-productivity-opportunity
[11] McKinsey & Company (2025). Economic conditions outlook, December 2025. Disponível em: https://www.mckinsey.com/capabilities/strategy-and-corporate-finance/our-insights/economic-conditions-outlook
[12] Corporate Finance Institute. Risk Management – Overview, Importance and Processes. Disponível em: https://corporatefinanceinstitute.com/resources/career-map/sell-side/risk-management/risk-management/

