Artigo escrito por Sérgio Augusto Costa, CEO da VILCO Energias Renováveis, em sua conta no Linkedin.
Os Serviços Ancilares
, também conhecidos como Serviços Auxiliares ou de Suporte no setor elétrico, são o conjunto de funções complementares à geração e transmissão de energia elétrica, essenciais para manter estabilidade, confiabilidade e qualidade do sistema como um todo. Eles não envolvem diretamente a produção ou o transporte de energia em si, mas garantem que o sistema opere de forma segura e eficiente, compensando variações imprevisíveis na demanda, falhas em equipamentos ou instabilidades causadas por fontes intermitentes (Solar ou Eólica). Os principais são:
Controle de frequência: Ajustes rápidos para equilibrar a oferta e demanda em tempo real, evitando oscilações que poderiam causar “blackouts”.
Suporte de tensão: Manutenção de níveis adequados de voltagem na rede, usando equipamentos como reatores ou capacitores para absorver ou injetar potência reativa.
Reservas operacionais: Capacidade reserva para responder a contingências, como falhas em usinas ou linhas de transmissão.
Serviços de restauração (“black start”): Capacidade de reiniciar o sistema após um colapso total, sem depender de fontes externas.
Outros: Como controle de inércia (especialmente relevante com o aumento de renováveis não síncronas) e resposta à demanda.
São essenciais para o Sistema Interligado Nacional (SIN), garantindo a operação segura e a qualidade da energia, conforme regulamentado pela ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica e pelo ONS – Operador Nacional do Sistema Elétrico. Diferente de mercados competitivos (como nos USA ou Europa), no Brasil são prestados de forma obrigatória por usinas selecionadas: Controle de frequência: Primário (automático via governadores de velocidade), Secundário (via Controle Automático de Geração – CAG) e Terciário (ajustes manuais).
Suporte de potência reativa: Para controle de tensão, remunerado via Tarifa de Serviços Ancilares (TSA).
Reserva operativa: Incluindo reserva girante (para contingências imediatas) e reserva de potência.
“Black start” e restauração: Capacidade de usinas para reiniciar o sistema após falhas.
Na prática, a remuneração de todos os Serviços Ancilares ocorre via TSA para o “suporte de potência reativa”, fixada anualmente pela ANEEL. Para 2026, a TSA foi fixada em R$ 10,41/Mvar-h. Esses custos são repassados aos consumidores através dos Encargos de Serviços do Sistema (ESS).
As Hidrelétricas dominam a prestação de Serviços Ancilares devido à flexibilidade, mas o aumento das renováveis intermitentes tem demandado mais Serviços, o que demonstra a urgente necessidade de modernização regulatória do Setor Elétrico Brasileiro, com foco em remunerar de forma adequada os atributos de Qualidade e Flexibilidade de energia, bem como a inclusão de armazenamento e mercados competitivos.

